#154 – Hoje é dia de gospel, bebê


De acordo com o Censo de 2022, um a cada quatro brasileiros é evangélico. Durante os anos 1980, porém, essa situação era bem diferente. Só 6% da população se dizia evangélica, e poucas coisas eram consideradas mais caretas pela geração jovem e roqueira do que “ser crente”. 

Isso começou a mudar em 1989, quando uma igreja decidiu apostar no rock como uma estratégia inovadora de evangelização. Sob forte influência da cultura evangélica norte-americana, a Igreja Renascer em Cristo revolucionou a música religiosa brasileira e introduziu uma nova palavra no vocabulário fonográfico: gospel. 

Levantamentos especializados apontam que a música gospel representa 20% do mercado fonográfico nacional. E esse mercado consumidor, de mais de 47 milhões de pessoas, começou a ser construído quando um jovem músico baiano e um ex-figurão da publicidade da TV Globo ajudaram a emplacar uma banda de rock gospel.

O episódio 154 de Escafandro mergulha na história da música gospel, conta como esse gênero musical dominou o Brasil, e como isso ajudou a religião evangélica a se espalhar por todo o país. 

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Entrevistados do episódio

Antonio Abbud

Publicitário e bispo da Igreja Apostólica Renascer em Cristo.

Paulinho Makuko

Músico. Baterista e vocalista da banda Katsbarnea. 

Ricardo Alexandre

Jornalista, escritor, documentarista, e roteirista do programa Conversa com Bial, da TV Globo. Autor de “Os 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos”. Apresentador do podcast Discoteca Básica. 

Ficha técnica

Produção, reportagem e edição: Matheus Marcolino.

Mixagem de som: Vitor Coroa.

Trilha sonora tema: Paulo Gama

Design das capas dos aplicativos e do site: Cláudia Furnari

Direção, roteiro e sonorização: Tomás Chiaverini


1 comentário em “#154 – Hoje é dia de gospel, bebê

  1. Olá, mergulhadores!
    Que privilégio é ouvir o Tomás narrando sobre qualquer assunto.

    De antemão, quero reportar o “choque” que foi identificar um assunto tão basal no meio evangélico (e ainda mais entre os músicos evangélicos) em um dos meus podcasts preferidos atualmente. Fiquei extremamente contente com a preocupação em não colocar a “massa” evangélica em apenas um saco, como de fato não a é, e isso faz toda a diferença ao analizar todo o fenômeno de evangelicalismo que acontece hoje no Brasil.

    Enquanto as tradições mais reformadas (Anglicanos, Presbiterianos, Metodistas e, no Brasil, até Batistas), formadas por uma maioria elitista, consume conteúdos mais “rebuscados”, com letras mais elaboradas e arranjos mais complexos, o “povo”, formado pela maioria das Pentecostais (principalmente Assembléias de Deus) e neo-pentecostais (recheada das maiores aberrações visíveis em âmbito teológico, ideológico e político) se satisfaz com auto-ajudas e conteúdo raso.

    Contudo, além de toda a lógica expansionista do protestantismo (que, querendo ou não, faz parte da nossa Confissão de Fé), ainda há um outro “imperialismo”. Sim, o Ianque. Cabe apontar que, junto à explosão da Renascer, estão acontecendo mais dois fenômenos globais. Nos EUA, nomes como Ron Kenoly trazem uma nova perspectiva de musica de igreja também, muito mais moderna e produzida, que vai repercutir, inclusive, no que conhecemos hoje como a LAGOINHA.
    A igreja batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, também investiu pesado em música, principalmente na figura dos 3 filhos do pastor presidente Marcio Valadão: Mariana, Ana Paula e, sim, ele, André Valadão.
    A mais velha, a Ana, foi enviada para estudar no CFNI (Christ For The Nations Institute), justamente para entender o que estava acontecendo la e trazer para o Brasil, com os mesmos cheiros, gostos, trejeitos e sintomas do que estava acontecendo, formando assim, o grupo Diante do Trono. Basta colocar um DVD do Ron Kenoly e comparar com o grupo mineiro e é nítida a cópia.

    Por sua vez, do outro lado do mundo, na Australia, surge a Hillsong, mega-igreja emergente, com investimentos tão pesados quantos suas polêmicas na área musical e no envolvimento de Jovens. Essas duas figuras do “mundo ocidental” avassalaram a cena musical cristã brasileira com tudo o que vinha de fora, sufocando qualquer tipo de originalidade que estava surgindo com essas bandas do final da década de 80 e começo de 90.

    Quando sai a matéria de capa do Ricardo Alexandre na Época “Os Novos Evangelicos”, em 2017, o evangelicalismo é uma nova colônia de tudo o que vinha de fora. Até surgir uma nova cena de disrruptivos que tentavam quebrar a figura do “gospel”. Linda é a fala do próprio Ricardo neste programa quando ele coloca que quem se coloca neste selo se põe musicalmente, estéticamente e, inclusive (ou principalmente), ideológicamente.

    E aqui mora a ironia: se a ideia da fundação do gospel era de se diferenciar daquela estética bege amadeirada da igreja careta dos anos 70/80, hoje, tudo o que é diferente da estética bege-terroso da igreja “descolada” americana é demonizado. Qualquer um que se coloque como alternativo, mais racional ou até mesmo provocativo, pode ser visto como ameaça.

    Conferências badaladas de nomes americanos e pastores políticos enchem estádios enquanto todo ar de brasilidade é sufocada com a “ameaça comunista e esquerdista que alastra as terras tupiniquins”. Afinal, tudo o que tem estética de reflexão, confronto e diálogo cheira a progressismo para muita gente.

    Indico o programa “Conversa com Bial” ao qual ele conversa com os fundadores do Coletivo Candiero, selo musical de artistas independetes do nordeste brasileiro, onde este assunto é tratado com muito mais maestria que um comentário.

    De qualquer forma, muito obrigado pelo episódio e por nos trazer a visão de quem vê de fora, toda a maluquice que acontece dentro das igrejas.

    Oro para que um dia todos aqueles que se aproveitam da fé e fragilidade alheia para seu próprio proveito obtenham as suas sentenças devidas – terrenas e eternas.

    Abraço a todos!

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